“Se não me perguntarem, eu sei o que é. Se tiver de explicar para alguém, não sei. O problema é que o passado não está mais aqui, o futuro ainda não chegou e o presente voa tão rápido que parece não ter extensão alguma. Aliás, se o presente só surge para virar passado, não daria pra dizer que o tempo é uma caminhada rumo à não-existência?” (Santo Agostinho)
Muitas vezes, uma pequena invenção pode provocar uma grande interferência na História. Atualmente vivemos a obsessão do tempo e da velocidade, mas a percepção da passagem do tempo pelos homens e a divisão desse tempo, são quase tão antigos quanto o próprio homem. Algumas culturas enxergam o tempo como um devorador de coisas. Mas ver o tempo como um devorador teria alguma justificativa? Talvez sim e poderíamos encontrá-la na mitologia. Segundo a mitologia grega, os titãs, filhos de Urano (o Céu) e Géia (a Terra), dominaram o universo. Cronos*, um dos titãs que habitava a terra desde o início dos tempos, tomou o lugar de seu pai e se proclamou o senhor do céu. Mas como castigo, seus pais o avisaram que seria punido, um de seus filhos o destronaria. Para evitar que tal profecia se cumprisse, Cronos tratou de livrar-se dos filhos, devorando-os à medida que iam nascendo. Em grego, Cronos quer dizer tempo. A partir desse mito, podemos entender a metáfora aplicada ao tempo. Os acontecimentos começam e terminam em certo período. Por isso, há a associação do tempo como algo que determina, que legitima, que afasta, que cura. O tempo é um conceito permeado de paradoxos. Platão afirma que o tempo tem uma origem cosmológica. A filosofia oriental sustenta que o tempo, assim como o espaço, são construções da mente humana. Aristóteles sugere que o tempo deve ser pensado como circular. O homem vive no tempo e o tempo molda o homem, faz e se torna história. O homem percebeu a necessidade de se dividir, conhecer, entender e até tentar dominar o tempo, inclusive por questão de sobrevivência. O homem precisou organizar suas tarefas ao longo do dia para proteger-se e descansar durante a noite. Precisava entender os mistérios da natureza como o tempo de chuva, de sol, a boa época para o plantio e colheita. Em todas as sociedades foram criadas maneiras de interpretarem e acompanharem o tempo. Nas primeiras sociedades americanas não foi diferente.
Na America temos como exemplo de eficiência de contagem e organização do tempo a civilização maia. Tinham um grande interesse na movimentação dos corpos celeste e desenvolveram uma densa astronomia. Observando o sol e a lua conseguiram criar um calendário preciso composto por meses de 29 dias e um ano de 365 dias. A contagem do tempo entre os maias era realizada pelo uso de dois calendários. Um chamado tzolkin, possuía 260 dias divididos em 20 períodos de 13 dias. Esse calendário era utilizado para marcar as principais festas religiosas dos maias. O outro era conhecido como haab, era utilizado no controle dos fenômenos naturais e na contagem de fenômenos que não tinham vínculo religioso. A junção dos dois calendários auxiliava em outra contagem de tempo que era marcada a cada 52 anos. O saber matemático desenvolvido por esse povo possibilitou o domínio de várias formas de contagem do tempo. Muitos pesquisadores indicam que o cálculo maia foi o primeiro a conceber a noção do numeral zero. A base de contagem era feita por sistema vigesimal que organizava as ordens numéricas.
A partir desse relato, podemos observar o quanto essas sociedades antigas eram bem desenvolvidas, pois o modelo de calendário que eles utilizava é bem próximo ao modelo usual do mundo ocidental.
*Na mitologia romana, Cronos corresponde a Saturno.
Referências Bibliográficas:
RODRIGUE, Joelza Ester. História em documento: imagem e texto. São Paulo: FTD. 2001.
http://www.cepa.if.usp.br/e-
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